Editorial | Declaração de intenções

Posted on 11/29/2008 by Hugo Ribeiro

Hugo Ribeiro - Press Officer
Em Março de 2005 tive a honra de ser um dos fundadores de um suplemento mensal chamado "A Bola do Golfe", com o cargo de Editor. Decidi que em cada número iria publicar um artigo de opinião e no inaugural escrevi o seguinte:

«Quando o director Vítor Serpa e a editora da secção de modalidades, Inês Bastos, me convidaram para assumir a colaboração de golfe em A Bola, em Abril de 2001, iniciaram um processo que veio a desembocar neste A Bola do Golfe. Desde então, A Bola tem mantido a tradição de todos os dias publicar uma notícia de golfe. Todos os dias? Bem, tal como nos brilhantes livros de Uderzo (Asterix), há sempre umas aldeias resistentes, que é como quem diz, uns dias em que tal não é possível, mas, sem querer entrar em números exactos, diria que A Bola dedica espaço ao golfe cerca de 300 dias por ano.

Os leitores habituais do jornal poderão perguntar, «mas onde pára esse noticiário, do qual, normalmente não damos conta?». Bem, são aquelas breves assinadas com as minhas iniciais! É pouco? Não, se, na realidade, considerarmos que, antes desse Abril de 2001, este jornal praticamente não “dava bola” ao golfe. Não é o desejável, mas tem funcionado como uma espécie de “informação mínima garantida”. Desde então, não podemos arrogar-nos de um papel fundamental no desenvolvimento da modalidade no nosso país, mas estamos seguros de contribuir aos poucos para a mudança de mentalidades, quer no difícil e hermético meio do golfe nacional, quer, sobretudo para o modo como o Mundo exterior à modalidade a encara.

Em 2004, A Bola assumiu, pela primeira vez, o estatuto de jornal oficial do Mota Engil PGA Portugal Tour, o circuito profissional português, uma vez mais, graças ao empenho do seu director em alargar os “nichos de mercado”, ou, até mesmo, em fidelizar a sua importante e relevante penetração na chamada “classe A”. No passado mês de Março, “dei o nó” e não deixei de gozar a lua-de-mel da praxe. Regressado a Portugal, foi com indescritível satisfação que verifiquei que, durante os dez dias em que estive ausente, o golfe continuou a aparecer com alguma periodicidade nas colunas de breves, naturalmente sem o meu contributo. Quando uma modalidade sobrevive num Media sem o seu colaborador é porque está no bom caminho.

Chegámos, assim, a 2005 com mais um passo em frente, na publicação do jornal oficial da PGA de Portugal, A Bola do Golfe. Para não correr o risco de repetir o editorial do presidente da PGA de Portugal, no qual está sobejamente explicada a aposta na dimensão desportiva e competitiva do golfe, limitar-me-ei a garantir a isenção jornalística do projecto. Ao contrário do que tenta transparecer para o exterior, o golfe não é um paraíso gerido por invioláveis acordos de cavalheiros.

Existe polémica, combate pelo poder político e económico, 'lobbies' dos mais diversos quadrantes e divergências por vezes radicais. A grande diferença em relação a outras actividades desportivas reside no simples facto dos seus agentes não tenderem para a busca do protagonismo e, portanto, de serem capazes de resolver a maior parte dos diferendos sem recurso ao sensacionalismo. A Bola do Golfe defenderá a sua liberdade editorial, mas também o pluralismo, e não se limitará a informar, não tendo preconceitos em assumir também uma significativa função formativa.»

"A Bola do Golfe" teve curta duração. Chegou apenas ao final de 2006. Os custos demasiados elevados pedidos pelo jornal "A Bola", a recusa de "A Bola" em distribuir o suplemento dentro do jornal (forçando os pontos de venda a fazer o encarte), de imprimir suplementos em número equivalente à tiragem do jornal (milhares de exemplares não tinham o correspondente suplemento) e a incapacidade da empresa Best Golf Corporation em garantir a viabilidade publicitária do produto, depois de ter garantido os direitos comerciais do suplemento à PGA de Portugal, votaram o projecto ao fracasso.

Foi lamentável porque quer a PGA de Portugal quer "A Bola" concordaram ter-se tratado de um produto de elevada qualidade jornalística. Foi uma lufada de ar fresco no espaço mediático português ligado ao golfe. Pela primeira vez fez-se opinião diversificada, publicaram-se estudos, investigou-se e, sobretudo, deu-se mais destaque ao golfe profissional português e não ao amador, um caminho que ainda hoje me parece o correcto, mais ainda numa semana como esta em que Portugal está, por direito próprio, entre os 28 países que disputam a Taça do Mundo (profissional), na China.

Com a falência de "A Bola do Ténis" toda a política editorial de "A Bola" em relação ao golfe se alterou, fruto da considerável dívida deixada pela Best Golf Corporation (com conhecimento da PGA de Portugal) junto do jornal.

Em 2007, "A Bola" decidiu deixar de assumir o papel de Jornal Oficial dos torneios internacionais de golfe em Portugal, designadamente, o Madeira Islands Open BPI, o Estoril Open de Portugal e o Ladies Open de Portugal. Como consequência, esses torneios de enorme relevância internacional - bem como o Portugal Masters e o Azores Senior Open que, entretanto, nasceram - deixaram de merecer uma página por dia para se limitarem a menos um terço desse espaço.

"A Bola" abandonou também o estatuto de jornal oficial do circuito da PGA de Portugal embora, mérito seja dado ao jornal, por manter a cobertura jornalística dos torneios profissionais e por ser, ainda hoje, o único media português (incluindo agências, televisão, rádio, jornais e internet) a acompanhar todos os torneios que contam para o Ranking da PGA de Portugal.

Aliás, esta mesma semana, recebi e reencaminhei para a Editora de Modalidades de "A Bola" um e-mail que me foi endereçado pelo South Golf Tour, elogiando o inexcedível trabalho de "A Bola" em prol do golfe profissional português. Por último, "A Bola" encerrou por completo o projecto fundado em 2001 de, todos os dias, publicar uma notícia breve sobre golfe. Este ano chegou-se mesmo ao cúmulo de não haver cobertura diária de nenhum torneio do Grand Slam ou da Ryder Cup e só se acompanhou as carreiras dos jogadores portugueses nos circuitos internacionais quando a agência Lusa escreveu sobre o assunto, o que terá sido cerca de 50% das vezes.

É um desgosto pessoal constatar que muito pelo que "A Bola" e eu lutámos desde 2001 foi destruído em dois anos e hoje em dia já não posso vangloriar-me de o meu jornal ser aquele que mais noticiário de golfe publica. Embora seja verdade que me foi permitido escrever (pequenas) notícias diárias dos principais eventos internacionais em Portugal, de todos os torneios do circuito profissional português e de alguns eventos de relevo, como a Taça do Mundo que temos vindo a acompanhar esta semana, a realidade é que o golfe deixou de ser uma aposta estratégica do jornal para passar a ser uma modalidade com algum interesse quando há alguns espaços vazios na paginação do dia.

Ou seja, não se sente um planeamento a médio ou longo prazo, com uma coerência ditada pela lógtica dos calendários competitivos, como acontece, por exemplo, com o atletismo, o basquetebol, o andebol, o hóquei em patins, o automobilismo e o ténis, para só falar dos que considero serem os bons exemplos.

Nesse sentido, os jornais "O Jogo" e "Público" têm assumido uma linha mais coerente, definindo à partida os eventos que irão cobrir pela importância dos mesmos. E raramente se afastam desse rumo. No entanto, são, também eles, incompletos. "O Jogo" não consegue transmitir aos seus leitores a enorme fronteira que existe entre o golfe profissional e amador e trata o notíciário de eventos de cariz social e comercial, destinado a praticantes de lazer, do mesmo modo que noticia os principais eventos nacionais e mundiais. Só o público leitor de "O Jogo" que estiver por dentro da modalidade conseguirá destrinçar a diferente importância que existe entre um torneio para jogadores de handicap 36 a outro para os melhores jogadores nacionais ou internacionais.

Quanto ao "Público", é o que melhor cobertura faz ao golfe internacional, mas, em contrapartida, em termos nacionais, dá inquestionavelmente mais relevo aos eventos amadores de alta competição do que aos profissionais, algo que, à minha vista, me parece uma inversão do correcto, mas que, no fundo, deverá ser uma consequência da política do Gabinete de Imprensa da Federação Portuguesa de Golfe, que distribui Press Releases de todos os torneios amadores de alta competição portugueses, mas escassa divulgação faz da actividade dos profissionais portugueses.

Enquanto "A Bola" publicou notícias diárias de golfe, o espaço mediático português acabava por ser complementar. "A Bola" mais virada para o golfe profissional, o "Público" dando mais atenção ao golfe amador de alta competição e "O Jogo" com especial aptência para o golfe comercial e social. Mas o desinvestimento de "A Bola" no golfe veio criar um desequilíbrio mediático no nosso país, com prejuízo para o golfe profissional.

Não tenho a pretensão de colmatar essa lacuna nesta minha página, até porque, sendo associado e voluntário da United Photo Press, ficará ao sabor do meu escasso tempo livre, mas, pelo menos, prometo que tentarei trazer aqui com periodicidade noticiário, opinião, sobre golfe amador de alta competição, golfe profissional e estudos de investigação na matéria.

Espero que gostem e aproveito à United Photo Press a oportunidade de alojá-lo na sua estrutura. Quem desejar enviar-me e-mails com opiniões ou sugestões, poderá fazê-lo para o endereço:

hugotennis@hotmail.com

E, entretanto, quem gosta de golfe profissional, não deixe de comprar "A Bola". Sempre vou escrevendo lá de cada vez que me dão oportunidade. E já agora, como na minha página posso fazer publicidade à vontade, saibam que o Eurosport transmite em diferido, às quartas-feiras à noite, compactos de notícias e reportagens dos principais torneios do PGA Tour (circuito profissional americano) e do European Tour (circuito profissional europeu).

Também a SportTv transmite semanalmente compactos do PGA Tour e do European Tour, mas divulga ainda compactos do Ladies European Tour (circuito profissional europeu feminino). Quantos aos programas portugueses de golfe, o Golf Report da SIC Notícias, o Golfe Magazine da RTP-2 e o Golfe & Golfistas da SportTv, são bem produzidos mas, enfim, só posso aconselhá-los a quem goste de ver golfe social e comercial. O que lá passa de golfe profissional é muito escasso.

Beijinhos e abraços,
Hugo Ribeiro